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Março se aproxima e, com ele, ganham força os painéis, as campanhas e os compromissos públicos que destacam a liderança feminina nas organizações. Esse movimento reforça avanços importantes, necessários e simbólicos. No entanto, ainda deixamos de olhar para uma camada silenciosa — e profundamente estratégica — da agenda: as mulheres que sustentam sua legitimidade todos os dias, mesmo quando o ambiente não facilita.

Precisamos discutir com mais profundidade as questões que atravessam a liderança feminina nas organizações. Além disso, precisamos agir de forma consistente, criando culturas em que as mulheres exerçam sua autoridade com segurança, sem a obrigação constante de provar seu valor a cada passo.

A Realidade das Mulheres que Lideram

No Brasil, somos mais escolarizadas, mais longevas e cada vez mais presentes em posições de decisão. Mesmo assim, seguimos operando com discrição, evitando chamar atenção para não parecer demais. Não por falta de competência ou repertório, mas por uma repetição histórica de padrões que nos condicionam a acreditar que sempre falta algo para pertencer.

E essa cobrança aparece em expectativas quase impossíveis. Por exemplo, somos levadas a performar sem falhar, como se qualquer erro colocasse em risco nossa credibilidade. Além disso, espera-se que cuidemos de tudo e de todos sem demonstrar cansaço, como se o peso das responsabilidades não nos atravessasse.

Ao mesmo tempo, precisamos liderar sem endurecer, equilibrando firmeza e empatia em uma medida quase inalcançável. E, para completar, ainda enfrentamos a pressão de envelhecer sem aparentar, como se o tempo fosse permitido apenas aos outros.

Essas exigências não são abstratas. Pelo contrário, elas moldam comportamentos, decisões e a forma como ocupamos — ou deixamos de ocupar — espaços de poder.

O Que Tenho Observado nas Organizações

Nas mentorias, nas conversas com executivas e nas áreas de Diversidade e RH que buscam transformar diversidade em estratégia real, vejo a mesma equação se repetir. A presença feminina cresce, mas a permissão para existir plenamente nesses espaços ainda não acompanha o mesmo ritmo.

E isso importa — muito.

Diversidade Vai Além de Quem Senta à Mesa

Diversidade não é apenas sobre representatividade numérica. É sobre criar ambientes onde mulheres tenham:

  • Permissão para se posicionar
  • Segurança psicológica para discordar
  • Espaço para serem ouvidas e respeitadas

Sem isso, qualquer avanço estrutural perde força. Inclusão não acontece por decreto: acontece na prática, nas relações e na cultura.

Por Que Esse Tema Importa Para 2026

Se a sua agenda para 2026 inclui fortalecer a liderança feminina, repensar a cultura organizacional ou ampliar a diversidade de forma estratégica, este é o momento ideal para aprofundar essa conversa. A transformação não depende apenas de políticas — depende de consciência, consistência e coragem.

Vamos construir isso juntas!

Fran Winandy, especialista em Diversidade Etária/ Geracional, Etarismo e Longevidade Corporativa ( fran@acalantis.com.br)